Missão intercongregacional no norte de Minas Gerais

--------De 11 a 15 de Novembro, frei Geraldo Baião e eu, de Minas Gerais, fomos participar da missão intercongregacional promovida pela CRB de Belo Horizonte para as Dioceses mais carentes. Saímos às 19:30 hs da Sexta-feira e chegamos às 7:00 hs do dia seguinte na cidade de Pai Pedro, Diocese de Janaúba norte de Minas. Divididos em cinco grupos, seguimos as orientações de Cristo, .Então chamou os doze e começou a enviá-los, dois a dois.... Mc. 6, 7. A partir daí partimos para as comunidades.

--------Fui designado para a comunidade de Taboa, junto com uma irmã Sacramentina e um Missionário de Jesus Operário. Dona Neuza e Dona Rosa, dirigentes daquela comunidade, foram nos buscar com a condução mais popular daquela região, a charrete, puxada por um cavalo.

--------A viagem durou um pouco mais de uma hora, tempo suficiente para conversarmos sobre as necessidades da região, tais como a falta de água e do capim que está totalmente seco. O verde não existe mais, por isso, o clamor para que venha a chuva. Quem sofre mais são os pequenos proprietários que não tem o suficiente para comprar ração para o pouco gado que possuem. A terra não pode ser preparada para o cultivo, uma vez que, por enquanto, não existe previsão de chuva no momento. O algodão, que alguns anos atrás era uma fonte de renda, hoje já não produz mais nada por causa da praga que ataca a plantação. Os venenos comprados são caros demais, e as despesas não compensam tamanho esforço, pois o que era para ter um pequeno lucro acaba sendo um enorme prejuízo.

--------O nosso café era na casa da Dona Neuza, o almoço e o jantar foram em diversas famílias, tais como Dona Rosa, Hilda, etc. Isto para dividir as despesas e não pesar para uma única família. Fomos recebidos maravilhosamente bem por todas as famílias, e como sempre acontece tinha refeição à vontade para todos.

--------Apesar de serem, na sua maioria, famílias de baixa renda, todas possuem aparelho de TV e uma antena parabólica, o que possibilita o acesso aos canais católicos, como Canção Nova, Rede Vida, TV Século XXI. A Canção Nova tem uma grande audiência naquela comunidade. .Grande é a messe, mas poucos são os operários. Rogai ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe” (Lc 10, 2). O padre faz apenas o que pode fazer, pois na região há nada menos do que 158 comunidades para serem atendidas, portanto é impossível para ele conseguir evangelizar sozinho todas as comunidades que ficam a mais de 120 Km da paróquia onde ele reside e as estradas não são asfaltadas, o que dificulta ainda mais o seu trabalho de evangelizar.

--------Há comunidades que por mais de cinco anos não tem assistência do padre, e por isso mesmo, é grande o número de crianças não batizadas na região, devido aos pais não terem recebido o sacramento do matrimônio. Quem não é casado, por lá, não pode batizar seus filhos. Qual é o pecado que eles podem carregar, se não tem mais quem os oriente? Vontade de batizar as crianças até que eles têm, mas infelizmente a orientação da Igreja local é esta, se não casar não tem batizado.

--------O objetivo desta missão foi dar continuidade na missão anterior que aconteceu na Semana Santa, onde foram feitas visitas às casas e uma orientação bíblica, por isso fomos com uma orientação específica de ajudar as comunidades a fazerem uma ligação da Bíblia com a vida e da vida com a Bíblia, e também oferecer para estas comunidades um conhecimento maior do mundo bíblico. O trabalho foi feito apenas com as lideranças. Somente na hora da celebração da Eucaristia é que todos se reuniam. A participação nas celebrações foi excelente. Como os missionários não foram suficientes, logo, não foi possível atender a todas as comunidades, a maioria das comunidades não teve seqüência do trabalho feito na Semana Santa, o que acarretara em prejuízo na missão. Fizemos apenas o que deveríamos fazer, mas acredito que poderíamos ter feito um pouco mais.

--------Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor a terra inteira. Cantai ao Senhor e bendizei o seu nome, anunciai cada dia a salvação que ele nos trouxe. .Sl 95, 1-2. A comunidade local se reúne todos os domingos para a celebração da Palavra. Frei Geraldo Baião ficou na cidade e eu fui para roça no meio do povo que tem fome e sede de ouvir a Palavra de Deus e, ao mesmo tempo, aprendi com a simplicidade daqueles que me acolheram sem medir nenhum esforço.

Frei Donizetti B. Melo. O. Carm.
Belo Horizonte, MG.

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Carmelo Missão

Ser Carmelita é:
Ser criador de fraternidade
Ser pessoa constantemente Orante
Estar empolgado pela missão

-------Nos dias 18 a 20 de outubro de 2005, realizou-se no Convento do Carmo de Recife, Província Carmelita pernambucana, o encontro Carmelo Missão, com o objetivo de rezar pela ação missionária carmelitana no mundo. Sendo uma fonte de irradiação, a família carmelitana partilhou suas esperanças e conquistas nos trabalhos missionários realizados nas cidades aonde atua. A proposta dos idealizadores foi seguir a mesma linha da reflexão do Carmelo Bíblia, Carmelo, Solidariedade e Intercab, mas diferenciando-se na linha da Missão, porém, com um olhar critico sobre o trabalho missionário. Fica definido que, o objetivo não é promover mis são, mas refletir os trabalhos realizados pelas Províncias Carmelitas: Santo Elias, Pernambuco, Comissariado, as Congregações Religiosas Carmelitas e os Leigos Carmelitas.

-------Surgiu uma proposta de se fazer anualmente na região do nordeste um encontro como este, devido a forte consciência histórica missionária plantada pelos nossos irmãos antecessores. Em um clima fraterno, fizemos um mapeamento das realidades onde atuamos: Província Carmelitana de Santo Elias: Jacobina, Palmas e Unaí, São Martinho, Centro Carmelita infantil, colégio e atuação em movimentos da Igreja; Comissariado do Paraná: Rondônia, Mosteiro Monte Carmelo; Província Carmelita de Pernambuco: Petrolina, iniciativas solidárias, Romarias (Monte Carmelo), evangelização paroquiais envolvendo leigos carmelitas contando com ajuda das irmãs carmelitas; Amazonas (apelo da CNBB segundo Dom Paulo feito numa reunião). Ele conta a experiência das iniciativas leigas missionárias em sua diocese, por exemplo, a Infância Missionária que está dando bons frutos. As irmãs Carmelitas da Divina Providência, que estão atuando no Equador, Argentina, Rondônia e meios populares desenvolvem um excelente trabalho social. Já as Irmãs Carmelitas; Irmãs Missionárias Carmelitas, desenvolvem suas pastorais em meios populares, assistência em paróquia, atendimento aos carentes com medicina alternativa, presença nas Cebs. As Irmãs Carmelitas Missionárias de Santa Terezinha atuam em creches, colégios, inserção, algumas cidades do nordeste, e formação de lideranças críticas frente à realidade. Percebemos que estas iniciativas da família carmelita, às vezes sem objetivos claros, com ideais diluídas no trabalho missionários não diminui seu valor na animação do povo de Deus que caminha na história. No entanto, se percebe a necessidade de o Carmelo produzir subsídios missionários (catequético) em comunhão com a Igreja Universal, porque às vezes repetimos o que todos já fazem nas missões. Comparando-se com as outras áreas missionárias, concluímos que, devemos aplicar uma metodologia missionária com nossa identidade carmelita, que dê seqüência de uma pré-missão e pós-missão cujo trabalho será centrado na formação de lideranças na Igreja local comprometida O fortalecimento eclesial, na formação de grupos leigos carmelitas, proporcionar á a realização de um trabalho mais coeso e, os frutos serão as novas vocações específicas para o Carmelo, e toda a Igreja. Cabe agora analisar a cultura missionária presente, e questionar se ela ajuda as pessoas a se apaixonarem pelo Reino de Deus, levando-as a se comprometer com a realidade política, econômica e social. O novo jeito de fazer missão carmelita tem o caráter místico e profético de nosso Pai e profeta Elias que dizia: .morro de zelo pela causa de Javé.. A tomada de consciência missionária de zelar pelas coisas de Deus deve ser o desejo de toda a família carmelita.

-------O nosso patrimônio espiritual está embasado na leitura orante da Bíblia, escapulário - nosso jeito mariano, dimensão social, espiritualidade de nossos santos, acolhida, estilo de vida simples, oração contemplativa, profética e fraterna. Todos estes dons devem estar a serviço dos pobres que são os preferidos do Reino de Deus. A problemática levantada é a dificuldade na realização desses trabalhos devido ao número reduzido de frades e freiras, porém, não impede a motivação para a missão. A família carmelita precisa acordar para a necessidade de uma consciência missionária mais coesa; animar as nossas paróquias e todo o campo em que atuamos. Acordar para essa realidade é reencontrar o nosso lugar
-------na Igreja, isto é, resgatar a mística missionária. A visão profética carmelita está em conexão com a preferência pelos pobres, percebendo onde há injustiça e lutando por uma sociedade mais justa, isto revela o agir do carmelita.

-------Seguindo o projeto da missão samaritana - paixão por Cristo e paixão pela humanidade, Dom Paulo relatou um pouco de como está a situação Igreja no Brasil. Ela está tentando ser missão na realidade em que vive no dia-a-dia. Os desafios e a interrogação no momento é de como ser .profeta da esperança. na atual situação plural, cultural e religiosa, uma das tomadas de consciência da CNBB. Como viver essa missão profética diante do pluralismo religioso; diante do fenômeno de exclusão; diante da biotecnologia. Nesta realidade a Igreja deve continuar sendo peregrina na história. Ela se sente solidária com todos os seres humanos no mundo. Ela provoca a resposta do Evangelho nas culturas para petrificar seu anúncio no coração humano. O desafio de associar fé e vida inicia na base Jesus Cristo. Com isso, a missão da Igreja é proclamar a boa nova de Jesus Cristo, sendo seu dever e direito ao laicismo.

-------Os valores éticos devem ser respeitados; a classe média manipula os valores da sociedade e o conceito de evangelização pode fazer nascer um novo conceito de cultura. A evangelização deve ser profética centrada em uma proclamação clara de Jesus Cristo Ressuscitado (Paulo VI) para que as pessoas possam vivenciar a profunda experiência de Deus. Jesus anuncia vida e denuncia a estrutura que mata a vida.

-------O querigma anunciado pelos apóstolos tocava os corações e provocava uma mudança de cultura. O desafio é superar cultura e evangelho. A função dos leigos e leigas não é ficar enfeitando liturgia, mas estar no mundo. Partindo dessa ação, a missão terá o seu efeito em outros, a comunidade se solidariza, sendo transformadora e ética. A Igreja é chamada a se colocar profeticamente no mundo plural para uma transcendência. A crítica feita quanto ao valor da razão é que esta foi colocada a serviço do poder político, e conseqüentemente da ditadura, esbarrando no direito da Igreja se posicionar em favor da vida. Um outro tópico levantado foi questão do consumo. Esse consumismo exacerbado é negado aos pobres e os excluem devido à ideologia que o mercado consumista gera. Este mercado gera uma violência emocional e até mesmo corrupção. Os ricos sobressaem através da situação dos pobres. A mídia cria necessidades para os consumistas fechando os horizontes para a transcendência.

-------Encarnando essa ação missionária carmelitana, desafiadora, a ordem é denunciar o relativismo ético religioso que se choca com o evangelho. O profeta da inclusão, que prega a Boa Nova, é portador de esperança e de justiça para os excluídos. Deparamo-nos com uma situação de exclusão mundial de 850 milhões de pessoas que passam fome. Fala-se que no Brasil, 3,17 % vivem apenas com meio salário mínimo, o resto vive abaixo da linha da pobreza. O rosto do Brasil é o rosto dos sem-teto; sem-terra; sem-trabalho; sem-direito. Tudo isso é conseqüência da ganância das multinacionais, que ditam e definem a regra fazendo o estado se tornar réu.

-------Não basta caminharmos simplesmente na contra-mão, mas é necessário a globalização da solidariedade. Nesses dois aspectos Jesus fez muito bem. Os bens produzidos nas terras brasileiros têm contribuição universal.

-------Frei Carlos Mesters iluminou o encontro com sua reflexão bíblica dizendo que, tudo que é desumano não é de Deus. No entanto, Jesus foi tão humano, que Deus, foi humanizado por Ele para mostrar o sentido lógico da vida.

-------Através do sofrimento do povo hebreu no Egito e da experiência libertadora que Moisés realizou, temos a prova de que Deus escuta o clamor (oração) do pobre e liberta. Em Moisés, Deus realiza sua missão salvífica. Uma outra experiência bíblica apresentada é a da comunidade de João (1Jo 4,18-21), a comunidade do amor que gera toda uma vida fraterna.

-------Onde há amor, existe libertação. Os profetas são as grandes testemunhas do Deus que liberta. Nesta linha temos o profeta Elias. Este é o primeiro a criar profecia diferente dos outros profetas. Denúncia que na comunidade não deve existir pobres. O profeta da justiça redescobre a face de Deus (1Reis 19). Unindo a experiência profética de Elias através da brisa, e a vida mística de João Cruz, que elaborou no cativeiro a ótica da noite escura, reconstruímos a imagem de Deus.

-------Fixando o nosso olhar em Maria, tendo-a como espelho, podemos vê-la como modelo de comunidade; fonte de união (Lucas). Em João, a cena das bodas de Caná, aos pés da cruz, esta mulher nos ensina a estarmos atentos aos sofrimentos do povo. É uma hermenêutica que se faz dela - passagem do antigo para o novo. O Apocalipse a apresenta como aquela que luta pela vida do filho. A que gera a vida no meio de ameaças.

-------O anúncio central de Jesus é o Reino de Deus, por isso Deus rema sua vida. Em seu anúncio, ele anuncia Deus, deixa Deus ser Deus, manifestando a grandeza do amor de Deus através do acolhimento aos pobres, formando a comunidade fraterna. Conclui-se que o Reino de Deus é formado na convivência do anúncio.

-------O conteúdo da Boa Nova é a revelação do rosto de Deus (Mc 10,45). Jesus é o Goel que resgata os desamparados. Envia 72 discípulos para proclamar o amor de Deus que é a fonte da Sabedoria. Em Mc 1, 16-20 temos a cartilha missionária, uma regra de como formar a comunidade, e de como congregar as pessoas no nome de Jesus. Portanto Mc 1, 21-22 desperta a consciência crítica diante de situações desumanas; Mc 1, 23-28 a partir desde despertar, o missionário combate o poder do mal que aliena a pessoa a si mesma. Somos chamados a manter a consciência de missão (Mc1, 36-39), que é desafiadora devido a exigência feita - reintegrar os marginalizados na sociedade (Mc 1, 40-45). A raiz da missão de Jesus transparece de modo radical numa abertura total para o Pai. Todo missionário deve seguir este ideal, conduzir as pessoas a Deus para que voltem a serem livres.

-------O nosso encontro foi um momento oportuno para refletir a missão no nível de família carmelitana dentro da Igreja . CNBB, CELAM e Sínodo, que nos convida a retomar o vigor do anúncio a partir de uma única fonte, o Evangelho. Assim, devemos encontrar nele, inspirações para seguir na construção da história, na pluralidade cultural. O carmelita vive da palavra, portanto, deve anunciar e testemunhar no mundo o que contemplou.

-------Com esse desafio lançado, a família carmelitana, é convocada a recuperar nas comunidades o espaço de irradiação do nosso ser para restaurar a mensagem do Evangelho e o carisma sem restrições. Não fazer concessões, significa retomar nossa herança como chão inspirador de profetas da esperança para reencontrar a face do Deus de Jesus. Porém, o Carmelo missão, tem a finalidade de ser, um momento de encontro para melhor refletir a qualidade dos nossos trabalhos missionários nas diversas comunidades onde que atuamos. Ficou definido que uma vez ao ano acontecerá em Recife no mês de outubro esse encontro. A justificativa por ser em outubro, porque é o mês missionário.

-------O encontro já estabeleceu em sua agenda para 2006. Será realizado de 8 a 14 de outubro. O cronograma traçado é o seguinte. Os dois primeiros dias ficaram para visitar o campo missionário do nordeste, e os outros dias para a partilha.

-------A equipe organizadora é composta das irmãs Missionárias Carmelitas (frei Casa Nova) e um frade do Recife. Cada província e congregação carmelita devem enviar o nome de um responsável pelas missões, e esses irão compor a equipe como um a conselho. O intuito desse grupo organizado é favorecer um espaço, na qual a família carmelitana, possa se encontrar e partilhar as conquistas, dores e esperanças, voltando mais fortalecido para o trabalho em nossas comunidades carmelitanas.

Frei Silvio Pereira
4º ano de teologia - ITESP
Mogi das Cruzes S.P


 















 
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