ORIGENS DA FILOSOFIA EM BELO HORIZONTE e NOVA CASA

-----------Tudo começou com uma insatisfação com os cursos de filosofia em São Paulo-SP. O provincial da época, frei Felisberto, ouvindo os estudantes de filosofia, percebeu que era necessário procurar uma outra faculdade para a formação filosófica dos estudantes carmelitas, no intuito de dar melhores estudos aos formandos. Três possibilidades se fizeram presentes em nossas pesquisas, a saber: morar em Jaboticabal e estudar em Ribeirão Preto, morar em Brasília e estudar na Universidade Católica de Taguatinga, onde já tínhamos uma paróquia ou estudar no Instituto Santo Inácio – ISI -, em Belo Horizonte. O ISI é uma boa faculdade e promove a formação filosófica e teológica dos Jesuítas de todo o Brasil. Belo Horizonte, embora grande, é uma cidade ainda com relações provincianas, com uma arquidiocese em grande florescimento religioso, e por fim, era possível adquirir uma casa mais perto do ISI, uma vez que o Carmo Sion fica no oposto do local de estudos. Tomada a decisão de vir para Belo Horizonte, com anuência do Conselho Provincial, promoveu-se a mudança no meio do ano. Os primeiros frades a se deslocarem do conventão foram frei Marcelo Frezarini, frei Aparecido e frei José Ildo, que estavam iniciando os estudos filosóficos.
-----------Vieram empacotados por causa do frio gritante de agosto e foram alojar-se com os padres dominicanos em seu convento de periferia à rua Aarão Reis, bairro Serra. Frei Romeu Dale era o formador e frei Márcio o provincial em exercício. Inicialmente o acanhamento se apoderou de nossos frades, que habitualmente em casa alheia, chegavam da escola e se escondiam no quarto esperando o sinal do almoço, amarelos de fome. Lá eles ficavam à espera do almoço e do aluguel de uma casa para morar, onde poderiam ter mais liberdade, embora os Padres Dominicanos terem tido muita cortesia com os hóspedes. Três semanas após, o Pe. Provincial alugou uma casa perto do ISI por 150 reais. Os estudantes sacramentinos nos ajudaram a transportar a mudança e vários móveis foram comprados no Troca-Tudo. Qual não foi a alegria quando puderam habitar a própria casa. Colchões no chão, isto não incomodava, a satisfação de já se ver a realização de um sonho: um filosofado carmelita em Belo Horizonte, mais perto do local de estudo, preenchia todas as carências.
-----------Alguns conselheiros perguntaram: se temos convento em Belo Horizonte, por que adquirir outra casa na cidade? E não havia consenso na possibilidade da compra. Ficamos alojados alguns meses até que foi possível adquirir uma casa como era desejada e questionada. Tratava-se de um sobrado, pertencente a um engenheiro peruano casado com uma brasileira de Governador Valadares que morava nos Estados Unidos e por coincidência ou graça divina, este dito cujo viera ao Brasil para vender a casa da esposa a fim de comprar uma fazenda em Valadares. Tratava-se de pessoa bem esclarecida que estava pesquisando em uma universidade da América do Norte sobre energia solar. Ele Disse-nos que buscava uma alternativa para refrigeração do interior das casas, assim quanto mais quente estivesse no exterior, mais refrigerado ficaria o interior das residências. Acho que até agora ele ainda não conseguiu realizar tal desejo.
-----------O preço foi razoável, a casa foi comprada e para ajudar no pagamento o provincial escreveu ao Comissariado de Portugal pedindo uma ajuda financeira. Vieram 15 mil dólares. A oferta não era suficiente para o pagamento, mas muito ajudou na compra. Para fugir do aluguel mudamos logo para a casa e iniciamos a reforma: aproveitar o terraço para fazer uma capela e salão de recreio, construir novos banheiros nos quartos do fundo, onde chamamos pejorativamente de vila eram nossos propósitos imediatos. Tudo aconteceu como queríamos. Com a graça de Deus, é claro.
-----------Estes foram os primeiros passos do filosofado em Belo Horizonte, na Rua Alfredo Guzela, 80, bairro Planalto. Várias turmas passaram por aqui, o que ocasionou a compra da casa vizinha, a fim de aumentar os quartos para os frades. Depois da turma do frei Marcelo vieram outras que terminaram o noviciado em Mogi das Cruzes.
-----------O projeto de trazer a filosofia para Belo Horizonte não foi avante. Com o novo capítulo provincial houve também uma mudança de projetos. Frei Paulo Gollarte e seu Conselho houve por bem levar o filosofado para São Paulo e para tanto empreendeu a reforma do conventão. Portas e quartos foram restaurados, o convento ficou, como se diz, um brinco e o filosofado e teologado passaram novamente para ser em São Paulo e ficaram vários anos.
-----------Como estamos falando de Belo Horizonte, voltemos para o nosso assunto. Com o capítulo provincial de 2002 novas idéias irromperam na Província no governo da Província. Novamente o filosofado em Belo Horizonte. A situação dos religiosos na cidade havia melhorado muito. Dois grandes institutos atraem as casas de formação. O Instituto Santo Tomás de Aquino – ISTA -, agora com novo prédio e bom curso, o ISI e a Universidade Federal de Minas são boas opções. Assim em 2003 as novas turmas que saem do noviciado recomeçam os estudos no ISI e ISTA. Passam a morar na antiga casa da Alfredo Guzela, 80. A casa vizinha já havia sido vendida, uma outra é alugada para acomodar a todos.
-----------Para facilitar o Estatuto da Formação da Província decidiu que o noviciado seria normalmente depois da filosofia. Foram alugados dois apartamentos nos arredores do ISI e frei José Aparecido veio acompanhar uma turma de postulantes em 2004. Nossa situação ficou assim. Uma casa de frades de votos temporários, uma casa de postulantado II - pré-noviciado -, habitando três casas. Era necessária uma tomada de posição para 2005, quando novos frades deveriam chegar. Foi então que se tomou a firme decisão de construir uma casa de filosofia na área chamada chácara dos frades, de 5.000 mts2 que havia sido adquirida anteriormente para postulantado.

-----------Inauguração da casa do Filosofado em Belo Horizonte
-----------A obra levou seis meses para ser terminada. Ficou a cargo da administração comunidade do da Igreja do Carmo Sion. A empresa contratada foi a de Noé e Luís, irmãos de um ex-carmelita, frei Argemiro, e o engenheiro arquiteto foi um amigo de frei Cláudio van Balen, que muito se esforçou no projeto.
-----------Construiu-se muito rapidamente e com muito bom gosto. Trata-se de um prédio, inicialmente de dois pisos para aproveitar a inclinação do terreno, mas as perfurações do alicerce facilitaram a construção de mais dois pavimentos que servem de capela, biblioteca e sala de estar. -----------O declive do terreno facilitou este aumento. O ecônomo responsável para arrumar o pagamento da obra, orçada em quase seiscentos mil reais, foi frei Marcelo Frezarini que acumulava o cargo de formador local.

-----------Dificuldade com a planta e com os vizinhos
-----------As plantas para a construção da nova casa de formação foram três. Por fim chegou-se a um consenso: vamos fazer uma coisa boa porque se não servir para o que pretendemos, servirá para outra. E assim foi feito.
-----------A casa possui vinte quartos sendo o do formador no centro do prédio como orienta nossa Regra: "A cela do Prior esteja junto da entrada do lugar onde habiteis, de modo a que seja ele o primeiro a acolher aqueles que venham de fora; e depois tudo o que se deva fazer, faça-se segundo a sua vontade e decisão" (Regra cap. VI).
-----------Uma área de gramado com quatro palmeiras imperiais enfeitam a entrada e, no plano inferior, um terreno com uma mina, que pode se transformar em um pequeno lago. Quem conhece Belo Horizonte já sabe que os morros fazem parte da topografia da cidade. Assim é o terreno: grande, mas acidentado. Com toda esta paisagem pitoresca, ao lado de um parque preservado, há 40 anos, pertencente ao Sr. Marcial Lago, irmão de Mário Lago, ator da Rede Globo, não se tem sensação de estar em uma cidade grande como Belo Horizonte, mas em um hotel fazenda, tal é a beleza do lugar. Merece ser visitada pelos confrades.

-----------Festa de inauguração
-----------O dia acertado para a celebração de inauguração da nova casa de formação foi 12 de fevereiro de 2005. Todas as comunidades religiosas vizinhas foram convidadas, bem como os amigos da paróquia do Cristo Operário e da comunidade do Campo Alegre, onde nossos estudantes trabalham. A quadra de esporte ficou repleta. Esqueci-me de dizer que existia no local uma piscina de 10 por 5 metros e uma quadra de futebol de salão. Ambas foram retocadas. O clima era de muita alegria e satisfação, muitos cumprimentos e admiração pela beleza do local. A missa começou às nove horas. Os frades com hábito carmelita desceram com a imagem de Maria desde a fonte octogonal, imitando o profeta Elias no Monte Carmelo. Frei Felisberto concelebrou. Na homilia o provincial frei Geraldo D’Abadia, depois de contar um pouco da história da construção, agradeceu a todos que colaboraram para a realização desse sonho: a firma construtora, os engenheiros, o arquiteto, e, principalmente, os trabalhadores que pegaram no pesado para construir uma casa bonita. Durante o ofertório foram oferecidos materiais de construção, as plantas e objetos que lembravam a finalidade da nova edificação: a formação dos futuros carmelitas. Frei Felisberto também usou da palavra lembrando o valor da amizade ali concretizada com a presença amiga de tantos estudantes e famílias religiosas.
-----------Após a missa, com muito gosto foi oferecido um farto lanche preparado pelos frades. Embalados por muita prosa, todos comeram até saciar-se e, mais tarde, para os mais próximos foi servido um almoço acompanhado de com churrasco. A festa se prolongou até à noite com som mecânico. O dia terminou com muito cansaço à espera do domingo rotineiro e de uma segunda-feira de estudos. Assim a vida continua e a casa começou a cumprir sua missão.















 
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