Frei Nuno Alves Corrêa: uma caminhada longa, repleta de recordação.
• 07/11/1914 – 84 anos – + 03/07/2008

Por Frei Felisberto Caldeira de Oliveira

“Vivo é o Senhor em cuja presença estou”. “Flor do Carmelo, Esplendor do céu, Videira florida, És minha vida”.

-------De 1950 a 1956, no Nordeste, frei Nuno estava distribuindo as primícias do Ministério Sacerdotal.
-------1957: Rio de Janeiro, a serviço da promoção Vocacional e dos Sodalícios da Ordem Terceira do Carmo.
-------De 1958 a 1959 – à sombra do Santuário de Fátima, à frente do Centro Internacional das Ordens Terceiras.
-------De 1960 a 1968 – lançando sementes do Reino na recém criada paróquia do Carmo de Santos, SP, e construindo a creche Nossa Senhora do Carmo.
-------De 1969 a 1077 – no exercício do Magistério, a serviço da juventude santista.
-------De 1978 a 1986 – na missão de Provincial da Província Carmelitana de Santo Elias – três mandatos - e no serviço direto da Ordem Terceira do Carmo - OTC.
-------De 1987 a 2008 – a serviço exclusivo da Ordem Terceira do Carmo da Lapa – Rio de Janeiro.

-------Com Santa Terezinha, ele dizia: “Tudo é Graça”.
-------Há anos Frei Nuno se recolheu no Convento da Lapa, no Rio de Janeiro, para se dedicar ao acompanhamento das Ordens Terceiras Carmelitas após 9 anos de serviço como Provincial. Esta missão ele a exerceu livre e carinhosamente. Foi diretor espiritual da OTC da Esplanada em São Paulo, capital. Tendo Frei Gabriel como vice-diretor dessa OTC, ele pôde assumir a OTC do Rio de Janeiro e cuidou da Família Carmelitana com disciplina e zelo, quase eliano.
-------Ultimamente, já ouvindo pouco e afônico, sentiu que seu corpo não correspondia mais a seu ardor e desejo de trabalhar, mas continuou editando a Revista da Família Carmelitana e o contato direto com os leigos carmelitas.
-------Em uma cadeira de rodas, dedicou-se a escrever para a Revista indo até o último número, o de julho de 2008, dedicado à festa de N. Sra do Carmo que ele queria celebrar aqui na terra, mas a Virgem Maria preferiu que fosse com ela, no céu, chamando-o para a casa do Pai, no dia 03 de julho às 02:30 da madrugada.

-------A enfermidade de frei Nuno
-------Seu estado de saúde se agravara no mês de junho de 2008. Vários exames médicos suspeitavam da presença de nódulos no organismo. Frei Nuno viveu de melhoras e pioras. Ele dizia para seus amigos: “desta vez quase que fui, mas não fui”, acostumado como estava ao vai-e-vem das muitas idas ao hospital. Julgávamos que esta sua última ida ao hospital seria uma das muitas, mas não foi. Desta vez ele foi.
Percebendo que seu estado de saúde se agravara, o médico do hospital Espanhol do Rio de Janeiro, pediu para comunicar a seus familiares dizendo: “Todo dia é dia de milagres, mas o estado de saúde dele é grave”. Sua sobrinha neta Maria e seu sobrinho neto padre João Alfredo, mãe e filho, vieram um dia antes do seu falecimento. Frei Nuno não tinha mais nenhum irmão vivo.
-------Como Frei Nuno se encontrava agitado no hospital, foi induzido o estado de coma para suavizar suas dores. Procedimento normal na UTI com pacientes em estado grave. Frei Reinaldo ministrou-lhe os Sacramentos dos Enfermos que foi a sua unção. Na madrugada do dia 03 de julho de 2008, quinta-feira, véspera do primeiro sábado do mês, ele partiu. Causa mortis: infecção generalizada a partir dos pulmões.
-------Seu corpo foi preparado pela funerária no próprio salão da igreja do Carmo da Lapa. Vestido do hábito carmelita e estola branca, coberto de flores brancas, ladeado por coroas de flores oferecidas pelos Sodalícios das OTC. O corpo de Frei Nuno esteve exposto na igreja da Lapa e, às 8h, teve início a missa de corpo presente. A OTC assumiu todas as despesas do enterro.
-------Frei Felisberto, provincial, presidiu, como de costume, esta celebração religiosa. Concelebraram padre José Laudaris, vigário geral e coordenador do setor a que a igreja do Carmo pertence, padre João Alfredo, sobrinho de frei Nuno, Frei Paulo, ex-provincial, Frei Valter, pároco de Vicente de Carvalho, frei Reinaldo, frei Martinho Cortez, frei Carlos Mesters e frei Alonso, que também ajudou na música, frei Antônio Sílvio e Frei Bento com 94 anos.
-------As OTC compareceram com seus escapulários vistosos. Vieram do Rio, Minas e São Paulo.
Na homilia foi narrado o fato de que um frade estudante carmelita havia pedido a seu provincial para deixá-lo construir alguma obra, pois, dizia ele, precisamos construir algo para deixar como lembrança após nossa morte.
-------Perguntou o celebrante qual a construção que Frei Nuno deixou após sua morte.
Responderam:
-------- Frei Reinaldo, reitor da igreja. Frei Nuno deixou uma construção espiritual muito grande nos leigos carmelitas. Construiu amizades.
-------- O padre João Alfredo e sua mãe, sobrinhos de Frei Nuno disseram: ele deixou muito amor e paz entre nós, sua família de sangue e na sua família de fé. Como diz o evangelho: “quem tiver deixado pai, mãe e irmãos por causa de mim, terá cem vezes mais já neste mundo”.
-------- Frei Antônio Sílvio e o terceiro carmelita Paulo Daher recordaram: Frei Nuno construiu o Centro para os Terceiros e um Secretariado bem como a Revista Família Carmelitana. E mais do que tudo isto, o exemplo de sua fidelidade, não se abatendo quando enfraquecido pela doença. Sua firmeza de caráter e fidelidade à Ordem.
-------- Padre José, sacramentino e pároco da igreja Santana, onde há quase 70 anos há Adoração Perpétua, trouxe o apóio e o carinho da Arquidiocese do Rio de Janeiro, lembrando a presença dos carmelitas nesta cidade.
-------- Frei Bento disse que Frei Nuno nos deixou um exemplo de amor, pois todas as tardes ele vinha para jogar buraco com ele, muitas vezes nem tanto porque gostava, mas por caridade, para frei Bento não ficasse sozinho. Até nisso ele era amigo e irmão.
-------Frei Felisberto terminou, resumindo as falas de todos, dizendo que Frei Nuno foi um suporte para a Família Carmelitana, para o Convento da Lapa, onde mesmo impossibilitado fisicamente, era o prior, sempre iniciando e terminando, como podia, as orações das refeições. Disse: Frei Nuno é um velho tronco onde os novos podem e devem beber de sua fidelidade e coragem. Entrando para o seminário de Itu com doze anos, dando toda sua vida para o Carmelo brasileiro, também doou um pouco de si para a casa do Beato Nuno em Fátima-Portugal.
-------Após a missa houve a encomendação junto ao seu caixão. A bandeira da OTC foi colocada sobre seu corpo e o escapulário de Nossa Senhora do Carmo, emprestado da imagem da Virgem que estava ao seu lado, o revestiu, simbolicamente, como último toque de mãe. Foi entoado o Flos Carmeli, a Salve Regina, e o tradicional Hino da Esperança Cristã: “Com minha mãe estarei na Santa Glória um dia”.
-------O enterro seguiu para o cemitério São João Batista, onde está o jazigo do Carmo. Lá os restos mortais de Frei Angelino, Frei Martinho, Frei Clementino e Frei Rocco o receberam como que membro da mesma comunidade.
-------No frontal do portão principal do cemitério está escrito a sentença: “Revertere ad locum tuum”, soando como sentença divina para todos os viventes e, dentro, as cruzes se misturavam como uma certeza de ressurreição em Cristo. Tudo correu bem até que uma chuva, que já começara, tornou-se mais forte impedindo o sepultamento. Todos nós paramos na frente da entrada onde as águas que lavavam o morro e os túmulos saíam pelo portão formando um manto de água. Ficamos parados por 40 minutos sem poder entrar, até que em uma pequena pausa, conseguimos levar o corpo ao túmulo em um cemitério superpovoado de túmulos que disputavam palmo a palmo um lugar para si.
-------Feitas as últimas orações, o corpo de frei Nuno desceu à sepultura, que já o esperava aberta e ao som das preces das Ave-Marias e do canto oportuno que alguém entoou “Se as águas do mar da vida quiserem de afogar”. Todos partiram sem lágrimas, mas na esperança de que Frei Nuno tenha alcançado um bom lugar na casa do Pai. A lápide do túmulo não pôde ser colocada no seu devido lugar por ser muito pesada. Feita uma prece pelos quatro empregados que o enterraram, todos partiram fazendo um sinal da cruz e, com medo de mais chuvas, agradeceram o dom da vida de Frei Nuno Alves Corrêa, O. Carm.
-------Foi anunciado que o Papa Bento já havia assinado um decreto de canonização do Beato Nuno Alves Pereira. Este era o grande desejo de frei Nuno, em vida, mas o obteve na morte. Eles se identificam nos nomes, na espiritualidade e na pertença à Família Carmelitana.
-------Santo Nuno Alves Pereira, religioso Carmelita, intercedei por nós!
-------“Servo bom e fiel, entrai no reino que para vós está preparado desde toda eternidade” (Mt 26, 21).
-------Frei Nuno não apenas descansa, mas vive plenamente, de forma eterna e terna.

Frei Nuno Alves Corrêa, O. Carm.
Foi servo bom
Foi bom carmelita
Foi ótimo amigo
Foi pessoa orante
Foi fiel até o fim
Foi trabalhador das primeiras horas
Foi promotor vocacional
Foi a alma dos leigos carmelitas, e apoio de seus confrades
Ele, porque foi bom, descansa agora de suas obras.
Ele foi para a casa do Pai, juntou-se aos seus na casa de Deus.
Ele o merece.
Amém. Que a luz perpétua o ilumine!

 















 
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